Ilhas Cíes: Navegando rumo ao ‘paraíso dos deuses’

Neptuno, deus do mar, surge na mitologia romana como o senhor de todos os oceanos, rios, lagos e fontes. Neptuno é o senhor das sereias, ninfas e tritões e, consequentemente, uma das personagens mais icónicas do figurino clássico. Tivesse Neptuno criado todos os pedaços de terra rodeados pelos mares e as Ilhas Cíes seriam, certamente, a sua obra-prima. Localizado no Parque Nacional Marítimo-Terrestre das Ilhas Atlânticas da Galiza, este arquipélago é fonte ancestral de amores e paixões, utopias e ilusões.

Atualmente, as Cíes são consideradas por muitos como o principal tesouro da ria de Vigo e, por consequência, como o grande motor do turismo galego. No entanto, a beleza destas ilhas desabitadas prolonga-se nas linhas do próprio tempo. Heródoto, pai da História, já mencionava a existência desta preciosidade nos seus livros. Nas Cíes desembarcaram, outrora, romanos e piratas. Hoje é a vez dos turistas, nudistas, velejadores e exploradores. Mas as Cíes nunca pertenceram ao ser humano. Os deuses protegem-nas e impedem que o espírito devasso do Homem consuma a pureza deste local. Quando muito são as gaivotas de patas amarelas as senhoras das ilhas. Se algum dia lá forem, acreditem, não tardará muito a perceberem.

As aves dominam as Cíes entre gemidos e ruídos histéricos. Irremediavelmente, mostram aos visitantes que são apenas isso: visitantes. No final do dia, regressarão às suas vidas, enquanto os pássaros continuarão a esvoaçar os cantos e recantos do paraíso. O arquipélago das Cíes é o maior da Reserva Natural galega. É o maior e o melhor. As águas do Atlântico assumem em torno de Monteagudo, O Faro e San Martiño diversos tons. Poderia jurar que só ali estão patentes todas as derivâncias possíveis e imaginárias do azul. Os tons azulados misturam-se com os esverdeados. O céu e as árvores dos bosques envolventes parecem estar a admirar-se ao espelho, num reflexo sem igual.

Navegando a toda a vela podem facilmente chegar a este arquipélago ancestral. Ou então, podem optar pelas travessias turísticas de empresas como o Mar de Ons – com as suas belas jovens de ar simpático e goelas bem afiadas – e desfrutar da paisagem circundante, enquanto contemplam Vigo a perder-se na linha do horizonte. Podem ir e vir no mesmo dia. Porém, quando desembarcarem jamais vão querer voltar. Submersos por uma serenidade indescrítivel, os deuses que tomam conta das ilhas vão apoderar-se do vosso espírito. Vão sentir a natureza de maneira diferente. Vão respirar de maneira diferente. Depois das Cíes, vão mesmo querer viver de maneira diferente.

No final do dia e repletos de paz, vão assistir ao momento em que o céu se confunde com o mar. Junto às praias de areia branca e em contacto com as águas cristalinas, vão perceber que Neptuno teve nas Cíes a sua obra-prima. Longe de tudo e de todos, agora só penso em lá voltar… às ilhas onde a terra e o céu parecem ter encontrado o seu lar!

Devaneios de uma apaixonada pelas Ilhas Cíes,

A saga continua brevemente

 

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