Castelo de Santo Antão: A fortaleza que une terra e mar

A Galiza é uma daquelas regiões com todos os ingredientes necessários suscetíveis de fascinar os seus visitantes: a amabilidade das pessoas, a excelente gastronomia, o encanto das paisagens e o requinte da sua História; cada elemento compõe a receita perfeita para impulsionar o ávido desejo de ir e querer voltar. Situada quase no extremo Norte, A Coruña (em português, Corunha) mune-se destes apaixonantes princípios e de muito mais.

Por certo, A Coruña não integra a lista dos destinos mais badalados pelas agências de Turismo. Mas ainda bem que assim é. Sem dúvida, a cidade apresenta uma identidade muito própria e com a qual me identifico. Por lá, os show-off para “inglês ver” (como se costuma dizer) praticamente não existem. Porém, o melhor mesmo é o respirar da sua cultura. Na música, nas ruas e, sobretudo, nos monumentos… Em cada canto é possível ver e sentir a essência única da alma galega. 

Neste contexto, um dos locais mais intrigantes para qualquer turista é o Castelo de Santo Antão. Hoje em dia, trata-se de um Museu Arqueológico e Histórico, considerado desde 1994 monumento nacional em Espanha, contudo o seu passado apresenta um percurso muitíssimo mais abrangente. Antigamente, a pequena ilha “La Peña Grande” – que brilha na baía da Corunha – assumia-se como um refúgio de quarentena para navegadores doentes. Reinava, então, uma pequena ermita erguida em homenagem a Santo Antão.

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Em 1522, Carlos I esteve na cidade antes de partir para a Flandres, por ocasião da sua coroação como imperador. Nessa altura, o monarca ordenou que fossem construídas três fortalezas. Todavia, as primeiras obras só arrancaram durante o reinado do seu filho Filipe II (que acabaria por tomar o trono português como Filipe I). Deste modo, foram dados os primeiros passos para a criação de uma das mais imponentes fortalezas militares galegas. Na primeira etapa da empreitada, entre finais do século XV e princípios do século XVII, ficou praticamente definido o núcleo fundamental da fortaleza: com um pátio de armas flanqueado; pequenas estâncias em forma de abóbada; duas estações de monitorização de pólvora; túnel e cisterna escavados nas rochas de água, entre outros aspetos.

No entanto, as obras no Castelo de Santo Antão não pararam. No século XVIII, uma das principais inovações foi a implementação da Casa do Governador, um edifício neo-clássico que hoje alberga as maiores coleções do Museu Arqueológico e Histórico. Durante anos, a fortaleza militar assegurou a defesa da cidade. De facto, A Coruña sempre soube fazer face aos seus inimigos, sendo um dos casos mais flagrantes a tentativa frustrada do britânico Francis Drake invadir este importante ponto da Galiza. 

Mas a História da vida do Castelo de Santo Antão não se fica por aqui. Para além do primitivo papel de quarentena e a posteriori de fortaleza militar, as suas instalações deram também lugar a uma prisão destinada a delinquentes comuns e diversos presos políticos, incluindo alguns ilustres da sociedade castelhana, desde oficiais do rei passando por proeminentes cientistas. As marcas permanecem, bastará um olhar atento para detetá-las. 

Atualmente, e transformado em museu desde 1968, este local oferece uma visão única sobre o passado da cidade e até da Galiza. No seu espólio encontram-se deslumbrantes vestígios dos romanos e dos celtas. Podemos contemplar peças de bronze, prata e ouro. Encaramos utensílios que nos parecem demasiado familiares, embora existam milhares de anos a separarem-nos.

Visitar o Castelo de Santo Antão significa obter uma das melhores lições sobre as origens de A Coruña. Até meados do século XX, as ligações entre a fortaleza e a urbe faziam-se com botes. No entanto, com a construção de uma passagem direta: terra e mar passaram a estar intimamente ligados. Ali, no alto da fortaleza, o maior privilégio é mesmo a vista.

+INFO: Museu Arqueológico e Histórico Castillo de San Antón
Contacto: museo.arqueoloxico@coruna.es

Horário de inverno: Segunda a sábado (10-19.30 horas); Domingos e feriados (10-14.30 horas)
Horário de verão: Segunda a sábado (10-21 horas); Domingos e feriados (10-15 horas)

2 thoughts on “Castelo de Santo Antão: A fortaleza que une terra e mar

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