Magda Goebbels: A primeira-dama do Terceiro Reich (parte I)

Adolf Hitler exercia um imenso fascínio sobre as mulheres em seu redor. Algumas eram simples apoiantes oriundas do povo, outras destacavam-se na sociedade alemã pela posse de inúmeros bens. O poder da retórica do ditador influenciou vários patrocínios por parte do público feminino. Por vezes, a admiração atingia níveis equiparáveis a um fanatismo doentio, sendo um dos mais conhecidos exemplos o caso de Magda Goebbels.

Dentre a elite feminina nazi, poucas assumiram o protagonismo da “Primeira-Dama do Terceiro Reich“, como era apelidada por muitos. Casada com o ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, e amiga íntima do Führer (em português, “líder”), Magda era considerada a mulher ideal do protótipo do nacional-socialismo, tendo sido distinguida oficialmente com o “Prémio da mãe alemã”, devido à prole de filhos que concebeu – no total sete. 

A imagem da mulher alemã desenvolveu-se quase naturalmente, tendo em conta a visão do mundo pela óptica das ideologias do Partido e as intenções das suas forças políticas. Slogans do género ‘a mulher – guardiã da raça e da cultura e fada do lar’, ocultavam astuciosamente os verdadeiros propósitos que, na realidade, tinham por finalidade a eliminação do desemprego e o aumento da população para servir o povoamento da zona leste” (Sigmund, Anna Maria, in “As Mulheres do Nazismo“, p.17).

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Magda Goebbels, o protótipo da mulher ideal alemã

MAGDA ANTES DO NAZISMO

Poucos poderão saber, mas o certo é que a vida de Magda Goebbels antes da sua adesão ao partido nazi tomou rumos completamente díspares. Nasceu a 11 de novembro de 1901 como filha de mãe solteira de Auguste Behrend, uma empregada doméstica. O seu pai era Oskar Ritschel, um empresário rico do setor da construção. Após divórcio, a mãe contraiu novamente matrimónio com Richard Friedlander, um fabricante bem-sucedido de origem judaica. Sim, o padrasto de Magda era judeu. Durante largos anos, os dois mantiveram uma relação próxima e afectuosa, que terminaria da pior maneira, mas lá chegaremos.

Na sua juventude, Magda frequentou algumas das melhores escolas, recebeu uma educação exemplar, e sempre teve contacto com os seus ‘dois pais’, o biológico e o adoptivo. Ambos mostravam-se orgulhosos da mulher inteligente em que ela se estava a tornar, além da sua beleza natural e dos seus admiráveis cabelos louros. Convém salientar que, apesar da mãe de Magda se ter separado de Friedlander —  o tal padrasto judeu —  a jovem continuou sob os seus cuidados, chegando a usar algum tempo o seu apelido. 

Tanto Oskar Ritschel como Richard Friedlander desdobraram-se para lhe dar tudo o que precisava, mas certamente não terão reparado na personalidade cambiante da sua amada filha. De facto, Magda é uma figura intrigante por isso mesmo. As suas crenças mudavam consoante a direção do vento: primeiro deixou-se encantar pelo budismo; depois, e fruto de uma ferverosa paixão por Chaim Vitaly Arlosoroff, interessou-se pelo sionismo; por fim, acabou por morrer, literalmente, por amor ao nacional-socialismo.

O PRIMEIRO CASAMENTO

Magda era ainda muito nova quando se casou pela primeira vez. Embora a diferença de idades entre ambos fosse substancial, quase 20 anos, a jovem sentiu-se atraída pelo charme e estatuto de Gunther Quandt, então um dos homens mais ricos da Alemanha. Pelo futuro marido, e ainda antes de consagrar o matrimónio, Magda mudou de religião, deixando de lado a fé católica e passando a adotar o protestantismo (outra prova da sua aptidão em mudar conforme a circunstância). Fruto dessa relação, abandonou também o apelido do padrasto para o do pai biológico. 

No entanto, a sua educação e juventude não a prepararam, certamente, para aquilo que estava prestes a enfrentar: um casamento de fachada e sem qualquer fôlego. Da união com Magda teve apenas um único filho, Harald Quandt, que viria mais tarde a ser muito bem recebido por Joseph Goebbels. Contudo, e ainda sobre a relação de Magda com Gunther, outro aspeto importante a reter foi o caso paralelo com Chaim Vitaly Arlosoroff. Acredita-se mesmo que o sionista fervoroso, que representa historicamente um dos fundadores de Israel, foi uma das grandes paixões da vida de Magda — facto que se reveste de alguma ironia se atentarmos ao perfil do seu mal-afamado segundo marido. 

“A jornalista Bella Fromm imaginou como poderia ter sido a vida de Magda — que ela conhecia bastante bem — sem a intervenção de Goebbels, vendo-a então (…) ‘como vigia num kibutz da Palestina, de arma ao ombro e com uma profecia do Antigo Testamento nos lábios” (Cit. por Sigmund, Anna Maria, “As Mulheres dos Nazis”, p.87)

Abruptamente foi a forma como terminou tanto o casamento de Magda com Gunther Quandt, como com Arlosoroff. Do primeiro conseguiu uma assinalável quantia monetária e a custódia do filho, visto que tinha em sua posse cartas comprometedoras dos seus tempos de juventude que poderiam resultar em escândalo para a família Quandt; do último, soube que este morreu vítima de assassinato em Telavive, em 1933. Porém, os maiores amores de Magda estavam ainda por vir: Joseph Goebbels e Adolf Hitler, mas deixemos esses detalhes para o próximo post.

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Adolf Hitler (lado esquerdo), Magda (ao centro) e Joseph Goebbels (lado direito).

 

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