Ilhas Cíes: Cinco pontos na mais perfeita das pinturas

Falar da Galiza sem mencionar as Ilhas Cíes é quase imperdoável; tão inconcebível como se alguém quisesse escrever um artigo sobre a beleza da cidade do Porto esquecendo-se de apontar, por exemplo, a Torre dos Clérigos. O arquipélago das Cíes assume o papel de derradeira jóia da coroa da ria de Vigo. Outrora visitadas por romanos, estas ilhas atualmente desabitadas permanecem no meu imaginário desde o verão passado.

Vivi as Cíes de duas maneiras distintas: primeiro, resolvi assegurar guarida num hotel viguês e deslocar-me dia após dia de ferry; passado algum tempo, numa segunda visita, acampei nas ilhas e senti-as como nunca. Percorri todas as rotas possíveis entre O Faro e o Monteagudo, foram dezenas de quilómetros que deixaram mossas nos pés, mas um indescritível sabor de plena liberdade. A cada passo acompanhava o pulsar do espírito selvagem e divino desta alma mater das terras galegas. Dos vários cantos e recantos que integram pictoricamente este idílico luga, decidi partilhar cinco daqueles que considero imprescindíveis, numa evasão até este tesouro do Atlântico.

1 – Monte do Farol das Cíes

A rota do Monte do Farol das Cíes, na ilha O Faro, é uma das mais populares entre os milhares de visitantes que acorrem anualmente ao arquipélago, em paralelo, é também uma das mais extensas. Com mais de 3,5 quilómetros de exercício pela frente, mas de profunda contemplação, no final alcança-se o mais emblemático miradouro das Cíes, estrategicamente situado no topo do monte. Quando lá chegamos somos arrebatados por uma panorâmica, no mínimo, cinematográfica. Dali conseguimos admirar as três ilhas, as praias e toda a ria de Vigo; o lago (protegido pela variedade de espécies que alberga) e a praia de Rodas destacam-se ainda neste cenário de perfeita perdição. Estive no topo do mundo e nunca mais de lá voltei, acreditem!

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2 – Alto do Príncipe

Subir até ao Alto do Príncipe equivale a percorrer o roteiro mais curto de todos, com pouco mais de 1,7 quilómetros. No entanto, corresponde também a uma das mais belas escaladas pelas Cíes. Por norma, com menos curiosos que as demais ‘peregrinações’, o Alto do Príncipe oferece-nos uma perspetiva diferente sobre as Cíes e a sua envolvente. Este ponto – localizado a norte, na ilha do Monteagudo – brinda-nos com um contraste geográfico e de vegetação existente entre as ilhas. Das rochas cuidadosamente esculpidas pela erosão dos anos chega-se a outro ponto de inquieta serenidade contemplativa; mais um miradouro, mais uma panorâmica inspiradora para artistas.

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3 – Praia de Figueiras (ou Praia dos Alemães)

Muitos dos turistas que desembocam no improvisado ‘porto’ das Cíes, se que é pode dar-se essa denominação, aproveitam a fama e pertinente proximidade da Praia de Rodas para estenderem, literalmente, as suas toalhas. De todas as vezes que lá fui preferi ignorá-la e enveredar por um outro caminho. Não me interpretem mal, a Praia de Rodas é estupendamente bela, afinal não é à toa que é frequentemente eleita como uma das melhores da Europa e do mundo. Todavia, movida pelo anseio exasperante da plena acalmia apostei na fuga à multidão. Então, encontrei a Praia de Figueiras e, por conseguinte, o meu ‘refúgio’ na imensidão azul e verde das Cíes. Com 350 metros de comprimento e apenas 50 de largura, as suas águas pintadas em tonalidades de esmeralda adquirem ainda maior preponderância devido ao bosque, repleto de eucaliptos, que ladeia o seu areal branco e puro. Apesar de ser associada aos praticantes de nudismo, a praia é frequentada por todo o tipo de veraneantes, incluindo os aspirantes a poetas, que como eu, se perdem inebriados pela brisa fresca do aroma das árvores.

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4 – Observatório das Aves

Na ilha do Monteagudo situa-se outro dos meus recantos favoritos do arquipélago das Cíes. O Observatório das Aves, a par do Alto do Príncipe e da Praia de Figueiras, merece definitivamente uma prolongada visita de cada ‘invasor’ deste paraíso. Construído cerca do Farol do Peito, esta pequena edificação de madeira é o lugar ideal para atentar nas colónias de aves marinhas, sobretudo as espécies sedentárias como as gaivotas de patas amarelas. Para além disso, seguindo este trilho encontra-se, a certa altura, vestígios das gentes volvidas que em tempos idos deram vida às ilhas. As Cíes têm a habilidade de nos surpreender a cada caminho tomado. 

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5 – Praia de Rodas

Com mais de um quilómetro de comprimento e 60 metros de largura, a Praia de Rodas é naturalmente aquela que mais centra visitantes. Esta extensão imensa de areia fina é adornada por algumas dunas, contando com a particularidade de ligar as ilhas O Faro e Monteagudo. De frente vê-se Vigo ao longe, de costas voltadas temos a imensidão paralisante da natureza. Trata-se de algo compulsivamente celestial, ou não fossem estas as ‘Ilhas dos Deuses’, a única espécie de peregrinação que espero repetir vezes sem conta ao longo da minha vida. 

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Todas as fotografias deste post são da autoria de Ricardo Baptista.

Entrarei em contacto, assim que possível.

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