Memórias da Aldeia

De frente para a Serra da Freita
Perdida nos montes que cercam o vale
Nasci e cresci numa pacata aldeia
Que nada tem, mas tudo tem

Na falta do charme doutras paragens
Na falta dos rios de água pura para banhos
Na falta das corridas para o deleite do pôr de sol
Na falta do melhor dos cantos de rouxinol
Esta aldeia absolutamente nada tem

Não há lojas, nem o mínimo de confusão
Não há louvores bucólicos inspirados em Torga
Não há bichos surreais, nem turismo rural
Não há algo merecedor do adjetivo especial
Esta aldeia absolutamente nada tem

A imaturidade típica da precoce idade
Cegou-me, contudo, a capacidade de olhar além
De ver aquém do concretamente visível
De atentar na linha do horizonte do indizível
Esta aldeia absolutamente tudo tem

Do aconchego humano que agora escasseia
Das brincadeiras solitárias da infância
Dos saltos imaginários em mundos sem fim
Dos infinitos malmequeres e o cheiro a alecrim
Esta aldeia absolutamente tudo tem

Dos domingos do assado no forno de lenha
Da broa de milho caseira posta à mesa
Hoje reina uma saudosa e inviolável certeza:
-Nasci e cresci numa aldeia que nada e tudo tem!

2 thoughts on “Memórias da Aldeia

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