I

A Vida Depois de Ti não é a mesma. Trago-te comigo, contudo não te trago realmente. Fecho os olhos e vejo nitidamente o teu rosto. Mas findaram-se as trocas de olhares cúmplices. Ouço ao longe a tua voz e falo contigo. No entanto, não me respondes. Acabaram-se as conversas que se prolongavam por horas. Continuo a recorrer a ti para desabafar em momentos de aperto; não encontro mais abrigo nos teus conselhos. Escuto o som estridente da tua gargalhada, mas não és tu quem conta as piadas. A Vida Depois de Ti não é a mesma. São brumas de memórias doutros tempos. Marcas de um passado não muito distante.

“É o ciclo da vida!”, dizem os filósofos e psicólogos – uns com canudo, outros formados nas agruras do seu triste fado. Disparates e mais disparates. Podem filosofar e analisar à vontade. Ignoro cada explicação em vão que me dão. “Tens que seguir em frente!”, atrevem-se os mais ousados. Mas quem disse que quero caminhar seja para onde for? Eu é que sei das razões dos meus lamentos. Que importa se me rodeio de dor? É a minha angústia, não é a vossa. Agradeço a preocupação, porém ajuda tanto com um chá quente em dias de constipação: serve para atenuar os ‘atchins’ e dores de cabeça do vírus entranhado; mas sabemos que, mais tarde ou mais cedo, voltaremos a padecer do mesmo mal.

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