Crepúsculo à beira-mar

No crepúsculo da noite, entre a linha ténue que separa a luz da escuridão, respiro o ar puro da maresia. De olhos fechados, percorro cada onda que dá à costa; embato nas rochas como um barco a naufragar e atiro-me ao mar. O sufoco do iminente afundar não me deixa respirar. Sinto o peito a latejar intensamente. Por breves instantes, parece que abandonei o meu ser físico. Arrebata-me um misto de aflição e contentamento. Mas é demasiado cedo para me deixar submergir pelas águas inquietas.

O meu espírito precisa de absorver outro tipo de mar e, por isso, forço a ausência de contacto visual. Estou ciente de ver agora melhor do que nunca. Torno a percorrer cada onda, desta vez de forma mais suave. Escuto o doce marulhar, os barcos a partir e a chegar, bem como as estridentes gaivotas. A água fria toca os meus pés e rasga a minha alma. O pulsar do coração abranda. Envolve-me uma singela acalmia.

Mesmo sem saber nadar, a afoiteza invade o meu espírito: – Venham as tempestades. Já estive mais perto de me afogar!

Entrarei em contacto, assim que possível.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.