Á miña casa

Xunto á illa remata o día Chega devagar o atardecer Mentres navego pola ría Vexo o sol a desaparecer O céu iluminase con mil cores Os meus ollos choran moito Non se acreditan en amores Nin nas palabras que escoito Na miña cabeza xa teño o verso Do poema que canta a beleza E mergulla … Continue reading Á miña casa

Humanos que preferem ser animais

Os dois acordaram lado a lado, tinham passado a noite enrolados como um casal de apaixonados, contrariando os seus anseios de animais. Não se recordavam muito bem do sítio onde se tinham conhecido, mas preferiam ter ficado aquém daquelas quatro paredes. Tudo parecia correr de feição. Estavam conectados pelo desapreço às trivialidades humanas. Mas algo … Continue reading Humanos que preferem ser animais

Um poeta obscuro é um poeta verdadeiro

Fechado no seu quarto, enclausurado como uma concha, o poeta está sozinho. Cansado de ouvir o telemóvel tocar. Desconectou-se das novas tecnologias. Deixou de ver os amigos e familiares. Movido por um ímpeto de profunda saturação, despediu-se do trabalho que mantinha por ‘fachada’; daqueles que servem apenas para pagar as contas ao final do mês. … Continue reading Um poeta obscuro é um poeta verdadeiro

Vagões do purgatório

nos vagões imundos partiram acorrentados a um destino execrável pesadelo transformado em vida real sem alento pela Humanidade ou resquícios de dignidade amontoados entre excrementos e mortos sobre-lotaram os veículos ferroviários, que conduziram nas linhas do terror milhares de almas ao seu purgatório, última estada antes do final deploratório humanos transformados em animais despojados de … Continue reading Vagões do purgatório