Cigarros e whisky

acende o cigarro bebe um whisky senta-te à janela aprecia a noite escuta o doce uivar do alfa da alcateia admira as estrelas contempla o luar continua a fumar repete o Jack Daniels esquece as pessoas recorda outros tempos – num gesto etéreo navega pelo mar perpetua a morada – a escuridão.

Metamorfose

Metamorfose conspícua de uma larva Encarcerada num casulo de redenção Desponta como uma borboleta Bate as asas e voa livremente Sob os olhares de admiração Ignora-se o seu passado ignóbil Despojado de quaisquer pasmos Submergido em antros de escuridão Larva que deixou de o ser Borboleta alvo de colecionadores virou Metamorfose audaz no exterior Ironia … Continue reading Metamorfose

A minha palavra é livre

Somos parte de um mundo díspar Um lugar em que ardem os humanos E vigoram os fantoches maneáveis Marionetas de forças superiores Com descrença pela plateia Nos bastidores erguem-se algumas vozes Os invisíveis que cantam no meio do caos Cantam palavras de emancipação Cantam em silêncio sem serem ouvidos Não foram designados para protagonistas Mas … Continue reading A minha palavra é livre

II

Multiplicam-se as receitas dos remédios e bebidas para curar maleitas. Em porções desproporcionadas da realidade servem-me as soluções líquidas para as minhas dores. Perdoem-me os crentes, mas desconfio da veracidade de esoterismos. Desculpem-me os filósofos, mas as vossas teorias não são as minhas. Que não me batam os psicólogos e psiquiatras, mas os vossos comprimidos … Continue reading II

Prelúdio de nada (Parte II)

O tempo passa velozmente. Cedo nasce o sol e depressa se levanta a lua. Sucedem-se os dias, meses e anos. Sucedem-se as estações. Uma sucessão de sucessões sem fim, mas nem damos pelo tempo passar. Observamos as divagações nas cores das pinturas que moldam as paisagens. Mostramos mais, ou menos pele, consoante os graus que … Continue reading Prelúdio de nada (Parte II)

Prelúdio de nada

Dizem que parar é morrer. Não quero ser mais uma de tantas carpideiras. Nunca tive qualquer talento digno de menção para a representação. As minhas lágrimas quando caem são tudo menos de autocomiseração. Rejeito as lágrimas do sofrer fingido. Repudio sagazmente os mortos-vivos: que cambaleiam em vez de caminhar; que invejam em vez de viver; … Continue reading Prelúdio de nada