Vontade de escrever

Hoje quero escrever Amanhã quero escrever Dia após dia, só quero escrever Podia aproveitar os tempos livres Seguir a moda da dieta e do correr Mas padeço da moléstia do escrever Vontade impulsiva e persistente Sei que estou doente, Porém, dispenso qualquer cura. Deixai-me com este meu sofrer, Quando apenas quero escrever!

Quem me dera ser Alberto

Dou por mim a ler Caeiro, Imersa na simplicidade dos seus versos, Na pureza do teor das suas mensagens, Sem complicações e quaisquer rodeios, O poeta assevera que está livre de floreios Ó “Guardador de Rebanhos”, quem me dera… Quem me dera ser um pouco mais como tu, Não perder-me em ávidos e tenebrosos pensamentos, … Continue reading Quem me dera ser Alberto

Enchente de putrefação

Enclausurados em conchas exímias, Mentes intoxicadas, almas amarguradas Restam-lhes as muitas taras e manias, Desproporcionadas, dementes e condenadas Julgam-se mais fortes do que são, Olham em frente, sem olhar a meios Gostam de pisar os que se deitam no chão, Acreditem! Castigados sereis por tais devaneios! Manadas, rebanhos e alcateias Todos a vós, energicamente, acorrem … Continue reading Enchente de putrefação

Sinuosidade da vida

Percorro caminhos sinuosos, estreitos, Adornados com pedras e buracos Trilhos distantes e munidos de defeitos, Emergem como um monte de estilhaços Destroços de uma vida inusitada, Ruínas de utopias de outrora Parte de uma estrada inacabada, Símbolo de um tempo que demora Perco-me em atalhos, triste, Enegrecida com receios e pesadelos Ó morte, esta via … Continue reading Sinuosidade da vida

Somos restos

Somos restos de memórias Que rasgam as profundezas do nosso ser Consomem-nos as extintas glórias De tempos que deixámos perecer Somos meros deambulantes Que ostentam mais do que podem ter Tentam-nos como loucos os diamantes De caminhos certos de um sofrer Somos sombras esquecidas Daquilo que um dia sonhámos ser Perseguem-nos as ambições perdidas Por … Continue reading Somos restos